Se grandes grupos brasileiros continuam enfrentando os desafios do mercado editorial, as dificuldades das editoras independentes são ainda maiores. Resistindo à crise e às grandes variações em suas cifras, essa categoria de empresa independente batalha para manter-se financeiramente – e nem por isso deixa de publicar excelentes obras. 

Que tal apoiar o mercado independente sabendo um pouco mais sobre ele? Continue lendo para conhecer 8 editoras que são consideradas um negócio independente

N-1 Edições

Focada na produção de “livros-objetos” na área da filosofia, estética, clínica, antropologia e política, a editora independente N-1 foi criada em 2011, com a colaboração da Universidade de Aalto (Finlândia). E não para por aí. Suas edições objetivam formatos inovadores. Desse modo, além de cada uma delas poder (obviamente) ser lida, os “livros-objetos” também propõem-se a “convocar sentidos”, incorporando objetos.

Em “Máquina Kafka”, de Félix Guattari, por exemplo, o livro foi produzido com um furo em cada lado. Esses buracos podem ser preenchidos pelos parafusos que acompanham a publicação. O livro inaugurou o catálogo da N-1 e, através dos parafusos, deseja explicitar a relação da obra com a “máquina”. 

No site da editora independente, o leitor ainda pode comprar obras como “Corpos que importam”, de Judith Butler; “O enigma da revolta”, de Michel Foucault; “Nietzsche e a filosofia”, de Gilles Deleuze; e “Riot Days”, de Maria Alyokhina – que vem, literalmente, com uma máscara. 

Ubu Editora

A Ubu nasceu em 2016, focada em antropologia, filosofia, psicanálise, literatura clássica, design e artes visuais. A editora possui três principais vertentes de publicação: livros destinados a universitários; publicações que fomentam debates atuais; e “edições caprichadas de obras clássicas”, de acordo com a própria empresa. 

No seu catálogo, consta “A origem das espécies”, de Charles Darwin, ilustrado e em capa dura, e o clássico “Hamlet”, de William Shakespeare, com 21 xilogravuras e, novamente, capa dura. 

Em 2019, a empresa independente também criou o “Circuito Ubu”, um clube de assinatura e leitura. O serviço promete entregar aos assinantes livros de não-ficção que fomentem discussões contemporâneas. Para setembro, a Ubu reservou a obra “Autodefesa – uma filosofia da violência”, de Elsa Dorlin, vencedora do Prêmio Fantz Fanon 2018. 

GLAC Edições

“Glac”. Lê-se, segundo a editora, como “o som de uma gosma ou meleca em colisão com uma superfície lisa”. Foi fundada em 2016, teve uma interrupção em suas atividades e voltou a funcionar em 2019. 

A GLAC é focada na publicação de autores estrangeiros (anônimos) traduzidos e de escritores nacionais – estimulando o leitor à “autodeterminação”. Seus pontos de venda e catálogo podem ser todos encontrados no portal da editora.

IKREK Edições

Com o objetivo de produzir livros de artistas no Brasil, o profissional independente Pedro Vieira juntou-se ao seu irmão Luiz para criar a IKREK. Como verdadeiras obras de arte, todos os livros podem ser encontrados no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP).  

Aos que desejam comprar para si uma edição, não se deve perder tempo. As publicações têm exemplares contados, e os números podem ser descobertos no site da editora. Um exemplo é “Declaração”, de Nuno Sousa Vieira, que teve somente 60 exemplares numerados e assinados. Quinze deles ainda contavam com desenho original do artista.

Os livros podem ser adquiridos diretamente com a editora, ou encontrados em livrarias e feiras selecionadas.

Publication Studio São Paulo

Integrante da Publication Studio, plataforma internacional de publicação, a PS-SP é localizada no Bom Retiro e produz livros de acordo com a demanda. Projeto sem fins lucrativos presente na capital paulista desde 2015, a PS pretende fazer com que autores possam ser publicados – atingindo, assim, o público leitor. 

Todo o catálogo paulistano pode ser encontrado no site da instituição e adquirido on-line via PagSeguro. A PS também é presente nas redes sociais. 

Editora Elefante

Empreendedorismo foi palavra imperativa para o jornalista e profissional independente Tadeu Breda quando, em 2010, seu livro sobre política equatoriana foi recusado por quinze editoras brasileiras. O autor juntou-se à designer Bianca Oliveira e ao também jornalista Leonardo Amaral para criar a editora, focada em publicações com relevância social ainda que sem interesse comercial.

Dentre os autores da Elefante, podem ser encontrados Júlio Delmanto, jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, e Jorge Carrión, crítico cultural do The New York Times. Todo o catálogo está disponível on-line, no site da editora independente. 

nunc – edições de artista

Mercado criativo é a aposta da nunc desde 2010, ano de sua criação. A editora define-se como um “experimento editorial e curatorial que transita entre as artes visuais e a literatura”. Ela pode ser encontrada nas redes sociais e em seu portal on-line.

 No seu catálogo, consta “A História Universal do After”, de Leonardo Felipe, que observa o cenário da música eletrônica de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. As obras podem ser adquiridas virtualmente via PayPal. 

Editora Jandaíra

Também integrante do mercado criativo, a Jandaíra é o novo nome da já consolidada Pólen Livros. Apesar da mudança, o catálogo continua o mesmo. Nos últimos meses, a editora viu suas publicações “estourarem” em vendas com a coleção “Feminismos Plurais”. 

O catálogo está disponível on-line, e as obras podem ser compradas nas principais livrarias. Vale conferir “Lugar de Fala”, de Djamila Ribeiro, e “Racismo Estrutural”, de Silvio Almeida. Em breve, também será lançado o selo “Justiça Plural”.  

Para apoiar uma editora independente, o leitor pode acompanhá-la nas redes sociais e conferir catálogos virtualmente. 

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